Carrinho abandonado no infoproduto: como recuperar vendas

Cem pessoas clicaram no seu checkout hoje. Sessenta e duas preencheram os dados e geraram o Pix.

Dezenove pagaram.

As outras quarenta e três estão no seu painel com nome, e-mail e telefone, marcadas como “aguardando pagamento”. Elas chegaram até a última tela, viram o valor, copiaram o código e sumiram.

Esse é o grupo mais barato de converter que existe no seu negócio, e a maioria dos infoprodutores nunca fala com ele.

O que este post responde:

  • Pix gerado e não pago costuma ser dúvida ou falta de dinheiro na hora, não desistência.
  • A janela boa de recuperação é curta: as primeiras horas valem mais que o resto da semana.
  • Três toques bem espaçados recuperam mais que dez mensagens seguidas.
  • Ajuste no checkout evita o abandono que nenhuma mensagem depois consegue trazer de volta.

O que conta como carrinho abandonado quando você vende digital

No infoproduto o abandono tem duas camadas bem diferentes, e misturar as duas é o primeiro erro.

A primeira é quem abriu o checkout e foi embora sem preencher nada. Esse você não tem como contatar, porque não deixou dado nenhum. Ele vira número de conversão da página, e o jeito de recuperar é melhorar a oferta e a página.

A segunda é quem preencheu nome, e-mail e telefone, gerou o Pix ou o boleto e não pagou. Essa é a camada que interessa. Você tem o contato, sabe qual produto ele quis e sabe quanto ele estava disposto a pagar.

Um lead que chegou na tela de pagamento está a um passo da compra. Comparado com alguém que só viu seu story, ele custa quase nada pra converter.

Antes de montar qualquer sequência, saiba onde essa lista mora no seu painel. Na Miblify esses pedidos aparecem com o contato e o produto que a pessoa tentou comprar, que é tudo de que você precisa pra começar.

Por que o Pix gerado nunca é pago

Os motivos se repetem bastante, e vale conhecer cada um porque a resposta muda conforme o caso.

O mais frequente é simples: não tinha o dinheiro naquela hora. Compra por impulso perto do fim do mês esbarra nisso o tempo todo. A intenção era real, a conta é que estava vazia.

Tem também quem gere o Pix só pra ver o valor final. A pessoa avança até o último passo pra conferir se aparece taxa extra, se o parcelamento muda o total, se o desconto do Pix é aquilo mesmo.

Outra fatia sai da tela pra pesquisar se você é confiável. Abriu outra aba, procurou seu nome, foi ver se tem reclamação em algum lugar. Mesmo gostando do que achou, muita gente não volta sozinha depois desse desvio.

Uma parte é interrompida pela vida. Filho chamou, chegou reunião, bateria acabou. Sem lembrete, aquele código de Pix morre em silêncio.

E tem quem trave numa dúvida que ninguém respondeu. Quanto tempo eu tenho de acesso? Serve pro meu caso? Tem garantia? Pergunta sem resposta segura a mão na hora de pagar.

Repare que nenhum desses motivos é “não quero mais”. Por isso a recuperação funciona tão bem nessa camada.

Quanto dá pra recuperar

Não existe estatística pública confiável de abandono de checkout específica pra infoproduto no Brasil.

No e-commerce em geral, estimativas de mercado colocam o abandono acima de 60% dos carrinhos. No digital a conta muda bastante conforme ticket, nicho e temperatura do tráfego. Ticket alto abandona mais. Tráfego frio abandona muito mais que audiência própria.

O número que importa é o seu. Puxe os pedidos aguardando pagamento dos últimos 30 dias, divida pelo total de checkouts iniciados e você tem a sua taxa real. Sem esse número, qualquer benchmark de internet é chute.

A janela de recuperação é curta

Isso é o que mais gente erra. A intenção de compra esfria rápido, e uma mensagem no terceiro dia chega em alguém que já esqueceu do assunto.

Uma sequência que funciona bem:

  1. Entre 15 e 30 minutos depois do abandono, mande algo curto e útil: reenvie o código do Pix e pergunte se apareceu alguma dúvida. Nada de cobrança.
  2. Ainda no mesmo dia, uma única vez, responda a objeção mais comum do seu produto, aquela que você já cansou de ouvir. Costuma ser garantia, formato ou tempo de acesso.
  3. No dia seguinte, avise que o código expira e mande o link novo. Se não converter aí, encerre.

Três toques. Depois disso, pare e deixe a pessoa em paz. Quem manda mensagem de recuperação por cinco dias seguidos não recupera venda, ganha bloqueio no WhatsApp e reclamação de spam.

E vale o cuidado óbvio: só contate quem deixou os dados no seu próprio checkout, e sempre deixe uma saída fácil pra pessoa pedir pra não receber mais.

O tom que não parece cobrança

A diferença entre recuperar e irritar está quase toda na primeira frase.

Cobrança soa assim: “Vi que você não finalizou sua compra. Não perca essa oportunidade!” Isso avisa a pessoa que ela está sendo monitorada e vendida.

Ajuda soa assim: “Oi, Marina. O código do Pix expira em uma hora, então mandei um novo aqui. Se ficou alguma dúvida sobre o curso, pode perguntar direto.”

A segunda versão faz uma coisa que a primeira não faz: abre conversa. Boa parte das respostas que você recebe vai ser uma pergunta, e essa pergunta é a objeção que estava travando a venda. Responder ela converte melhor que qualquer desconto.

Falando em desconto, segure ele. Se você dá 20% pra todo mundo que abandona, você ensina sua audiência a abandonar o carrinho de propósito.

Ajustes no checkout que evitam o abandono

Recuperar quem saiu é bom. Melhor ainda é fazer menos gente sair.

Reduza o número de campos ao mínimo. Nome, e-mail, telefone e pagamento bastam pra vender produto digital. Cada campo extra derruba um pedaço da conversão.

Mostre o preço final sem surpresa, com o desconto do Pix visível antes da escolha do meio de pagamento. Muito abandono é gente conferindo se o valor muda.

Coloque a garantia, o tempo de acesso e o formato do produto na própria tela de pagamento. É ali que a dúvida aparece, e não adianta a resposta estar na página de vendas três rolagens acima.

Ofereça mais de um meio de pagamento. Quem não tem saldo no Pix agora pode ter limite no cartão. Se a recusa de cartão está alta na sua operação, esse é outro problema, que eu abri no post sobre taxa de aprovação de cartão baixa.

E teste o checkout no celular, com a sua própria mão, uma vez por mês. A maior parte do seu tráfego compra pelo telefone, e defeito de layout no mobile derruba venda sem aparecer em relatório nenhum. O passo a passo completo está em como criar um checkout para produto digital.

Na Miblify o checkout já sai com Pix e cartão, sem você precisar montar integração pra cada meio de pagamento.

Erros comuns na recuperação

O mais caro é não fazer nada. Muita gente olha o relatório de “aguardando pagamento”, acha que é gente sem dinheiro e deixa pra lá.

Depois vem a mensagem genérica em massa, sem o nome da pessoa e sem o nome do produto. Ela é ignorada porque parece disparo automático, que é exatamente o que ela é.

Tem também quem trate o abandono como fracasso da pessoa. Mensagem com “você desistiu do seu sonho?” gera bloqueio, não venda.

E o oposto do silêncio: insistir demais. Depois do terceiro toque, o retorno vira negativo e você queima um contato que poderia comprar daqui a dois meses. Guarde esse pessoal e traga de volta numa campanha nova, sem pressão. Se você ainda não tem uma base própria pra isso, comece pelo post sobre iscas digitais pra coletar leads.

Perguntas frequentes

Quanto tempo depois do abandono devo mandar a primeira mensagem?

Entre 15 e 30 minutos. A pessoa ainda está no assunto, muitas vezes com o celular na mão. Mensagem no dia seguinte pega alguém que já esqueceu o que estava comprando.

WhatsApp ou e-mail para recuperar carrinho?

WhatsApp tem leitura maior e converte mais no digital, mas cansa rápido e queima seu número se você exagerar. O ideal é combinar: primeiro toque no WhatsApp, os seguintes por e-mail, sempre com saída fácil pra quem não quer mais receber.

Vale dar desconto para quem abandonou o carrinho?

Como regra fixa, não. Desconto automático ensina a audiência a abandonar de propósito pra ganhar o cupom. Use como exceção pontual, em campanha com prazo, e nunca no primeiro contato.

O cliente disse que pagou mas o pedido continua pendente. E agora?

Peça o comprovante com data, valor e destinatário, e confira o status no painel antes de liberar qualquer coisa. Esse caso e os parecidos estão no post sobre o que fazer quando o cliente não recebeu o produto digital.

Fechando

Quem abandona o carrinho quase sempre ainda quer comprar. A pessoa já preencheu os dados e chegou na última tela, o que é bem mais do que a maioria da sua audiência faz.

Descubra a sua taxa real, monte a sequência de três toques e conserte o que trava no checkout. É a melhoria de faturamento mais barata que existe, porque você não paga nada de tráfego novo pra conseguir ela.

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