Vender infoproduto para fora do Brasil: por onde começar

“Adorei o curso, mas não consigo comprar. Moro em Portugal e o site pede CPF.”

Você olha o Google Analytics e leva um susto. Tem gente entrando de Lisboa, de Orlando, de Buenos Aires. Uma fatia pequena do tráfego, mas com ticket que você nem imaginava conseguir cobrar aqui.

E o seu checkout está barrando essa gente numa validação de documento.

Vender infoproduto para fora do Brasil não é bicho de sete cabeças, mas exige decisões tomadas numa ordem específica. Errar a primeira faz o resto não funcionar.

O que este post responde:

  • Brasileiro morando fora e estrangeiro são públicos diferentes, com soluções diferentes.
  • Cartão internacional é o caminho mais simples; Pix não existe fora do Brasil.
  • Campo de CPF obrigatório no checkout derruba boa parte das compras de fora.
  • Receita de exportação tem regra tributária própria. Leve isso pro contador antes de escalar.

Primeiro decida: brasileiro fora do país ou estrangeiro?

Essa é a decisão que muda todo o resto, e quase ninguém para pra tomar ela conscientemente.

O brasileiro morando fora fala português, já conhece você e muitas vezes ainda tem CPF ativo e conta no Brasil. Ele compra o seu produto do jeito que ele já é, sem tradução e sem adaptação nenhuma. O que trava a venda é meio de pagamento e, de vez em quando, o fuso do suporte.

Estrangeiro que não fala português é outro negócio. Aí entra tradução do material, adaptação dos exemplos, suporte em outro idioma e uma oferta que faça sentido no mercado dele. Dá pra fazer, e é projeto, com prazo e orçamento próprios.

A maior parte dos infoprodutores brasileiros que vende lá fora está no primeiro grupo, e isso é uma boa notícia: significa que o caminho mais curto é resolver pagamento, não produzir tudo de novo.

Se o seu tráfego de fora é majoritariamente de brasileiro expatriado, comece por aí e deixe o mercado estrangeiro pra depois.

O CPF no checkout é o primeiro muro

Muito checkout brasileiro trata CPF como campo obrigatório, e o efeito disso muda conforme quem está do outro lado.

Brasileiro com CPF ativo passa sem problema, contanto que o campo aceite endereço internacional. Boa parte trava no CEP em vez do documento: o formulário exige oito dígitos e a pessoa mora num lugar com código postal em outro formato.

Quem deixou o CPF irregular trava de vez. E o estrangeiro simplesmente não tem esse documento pra digitar.

O ajuste mínimo é deixar CPF e CEP opcionais quando o país selecionado não é o Brasil. Vale conferir isso na sua estrutura antes de investir em tráfego internacional. Se você está montando o checkout agora, o passo a passo está em como criar um checkout para produto digital.

Como o dinheiro chega até você

Existem dois caminhos, e eles têm níveis de complexidade bem diferentes.

O mais simples é receber em real, com o cliente pagando pelo cartão de crédito internacional dele. A bandeira faz a conversão, o cliente vê o valor em reais somado ao IOF do país dele, e você recebe como uma venda comum. Sem contrato de câmbio, sem conta no exterior, sem nada.

A taxa de aprovação nesse cenário costuma ser menor que a de uma compra doméstica, porque o banco emissor lá fora vê uma cobrança de um país distante e às vezes barra por suspeita de fraude. Isso é normal e faz parte da conta. Se aprovação já é um problema na sua operação, o post sobre taxa de aprovação de cartão baixa vale a leitura.

O caminho mais complexo é receber em moeda estrangeira, com a venda liquidada lá fora. Isso exige uma estrutura de recebimento internacional e, para trazer o dinheiro pro Brasil, fechamento de câmbio numa instituição autorizada pelo Banco Central. Ganha em conversão para o cliente estrangeiro e custa mais em burocracia e em taxa.

Regra prática: comece pelo primeiro caminho. Só monte estrutura internacional quando o volume justificar o trabalho.

E não conte com Pix. Ele funciona entre contas brasileiras, então um cliente sem conta no Brasil não tem como usar. Boleto também está fora.

Preço: converter ou definir do zero?

Pegar o preço em real e dividir pelo câmbio do dia é o erro mais comum.

Um curso de R$ 997 vira algo perto de 180 dólares numa conversão direta. Esse número pode ficar barato demais para o padrão do mercado americano e caro demais para o argentino. Câmbio não é medida de poder de compra.

Para brasileiro morando fora, manter o preço em real costuma funcionar bem, porque a referência mental dele ainda é o Brasil e ele quase sempre está ganhando em moeda mais forte. Nesse caso o seu produto fica barato sem você mexer em nada.

Para estrangeiro, o preço precisa ser definido olhando o que produtos parecidos custam naquele mercado, não a cotação.

E lembre que a sua margem muda quando entra taxa internacional. Vale rodar os números no simulador de taxas antes de fechar o preço.

Imposto e câmbio: o que levar pro contador

Tributação de venda internacional depende do seu regime, do seu CNAE e de como o dinheiro entra no país. Nenhum artigo de blog resolve isso, inclusive este.

O que dá pra dizer com segurança é que receita de exportação tem tratamento tributário próprio no Brasil, diferente da venda interna. Isso pode ser vantajoso, e é exatamente por isso que vale confirmar com quem entende antes de escalar, não depois.

Leve estas perguntas pro seu contador:

  1. A venda do meu produto digital para cliente no exterior se enquadra como exportação de serviço?
  2. O que muda na apuração se eu receber em real via cartão internacional em vez de receber em moeda estrangeira?
  3. Preciso emitir nota fiscal para cliente de fora, e em que modelo?
  4. Se eu trouxer dinheiro do exterior, como registro o câmbio e o que isso gera de obrigação acessória?

Sai muito mais barato pagar uma consulta agora do que reorganizar dois anos de apuração depois.

Entrega e suporte em outro fuso

A parte operacional é mais simples que a financeira, mas tem detalhe.

Fuso horário afeta lançamento e aula ao vivo. Uma live às 20h de Brasília é meia-noite em Lisboa e cinco da tarde em Los Angeles. Se a sua audiência de fora é relevante, grave tudo e libere a gravação rápido.

Suporte também muda de ritmo. A pessoa manda mensagem no horário dela e recebe resposta muitas horas depois. Deixe o prazo de resposta escrito e cumpra ele, porque cliente longe fica inseguro mais rápido.

Na Miblify o produto e os dados de quem comprou ficam no seu painel independentemente de onde a pessoa está, o que evita depender de intermediário pra saber quem é seu aluno de fora.

Erros comuns

Investir em tráfego internacional antes de testar o próprio checkout é o erro que mais aparece. Faça uma compra de teste com endereço estrangeiro antes de gastar o primeiro real em anúncio.

Traduzir a página de vendas e esquecer o produto vem logo atrás. Landing em inglês com aulas em português gera reembolso imediato e reclamação justa.

Promessa de suporte em tempo real para todo mundo também costuma quebrar quando chega alguém com sete horas de diferença. Prometa o que a sua rotina aguenta cumprir.

O mais caro de todos aparece devagar: montar estrutura internacional complexa por causa de três vendas. Estrutura vem depois da demanda.

Testar essa demanda não precisa custar nada. Na Miblify criar conta e subir o produto é grátis, então dá pra medir se existe público lá fora antes de investir em qualquer estrutura maior.

Perguntas frequentes

Preciso de empresa no exterior para vender infoproduto lá fora?

Na maior parte dos casos, não. Dá pra vender recebendo em real, com o cliente pagando no cartão internacional dele. Empresa no exterior só faz sentido em volume alto e com orientação contábil e jurídica específica.

O cliente de fora consegue pagar com Pix?

Não. O Pix funciona entre contas de instituições brasileiras, então quem não tem conta no Brasil fica sem essa opção. Cartão de crédito internacional é o caminho padrão.

Como faço nota fiscal para cliente no exterior?

Depende do seu regime tributário e do seu município. Existe modelo específico para exportação de serviço em boa parte das prefeituras, mas as regras variam bastante. Essa é uma pergunta para o contador, não para um artigo.

Em quanto tempo recebo uma venda internacional?

Venda no cartão internacional segue o prazo do cartão, com liquidação parecida com a doméstica. Os prazos por meio de pagamento estão detalhados no post sobre quanto tempo demora pra receber o dinheiro da venda.

Fechando

Vender infoproduto para fora do Brasil começa com uma pergunta simples: quem está do outro lado, brasileiro que mudou de país ou estrangeiro que nunca ouviu falar de você?

Responda isso, libere o checkout pra comprador internacional e leve as perguntas certas pro contador. As três vendas seguintes te dizem se vale montar estrutura maior.

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