Como precificar produto digital: fórmula e margem real
Você terminou o ebook. Ficou bom. Aí vem a pergunta que trava muita gente: quanto cobrar?
Você olha o que os outros cobram, tira uns 20% porque “ainda sou pequeno”, arredonda para R$ 47 e publica. Três meses depois, descobre que de cada venda sobram uns R$ 38, que o anúncio custou mais do que isso e que o preço virou uma prisão.
Preço de produto digital não é palpite nem espelho do vizinho. É uma conta simples, e quem faz essa conta antes de lançar dorme melhor. Vamos fazer juntos.
O resumo, se você só tem dois minutos:
- Preço bom parte do valor para o cliente e do que sobra no seu bolso, não do preço do concorrente.
- Num produto de R$ 100 com taxa de 10%, você já começa a conta com R$ 90.
- Subir de R$ 47 para R$ 67 raramente derruba as vendas na mesma proporção.
- Teste o preço com uma lista pequena antes de gravar as 40 aulas.
Por que copiar o preço do concorrente dá errado
Copiar parece seguro. Se alguém vende um curso parecido por R$ 197, esse deve ser o preço certo, não?
Nem sempre. Você não sabe quantas vendas essa pessoa faz, se ela tem audiência de 200 mil seguidores ou se o preço está baixo de propósito para captar leads. Também não sabe a margem dela, que depende da taxa que paga e de como vende.
E tem outro detalhe: o preço comunica posição. Um produto barato demais passa a ideia de conteúdo raso, mesmo quando é excelente. Um preço alto demais sem prova social assusta quem não te conhece.
Por isso o caminho começa em outro lugar: no que você precisa receber e no que o cliente ganha.
Passo 1: descubra o quanto sobra de cada venda
Antes de escolher o preço, descubra o que fica com você. O preço que o cliente paga não é o dinheiro que entra na sua conta.
Os descontos mais comuns em uma venda:
- Taxa da plataforma ou do gateway, que costuma ter uma parte em percentual e outra fixa por venda.
- Custo de parcelamento, quando o cliente divide e você antecipa o recebimento.
- Imposto, dependendo do seu enquadramento.
- Comissão de afiliado ou coprodutor, se houver.
- Reembolsos, que devolvem dinheiro que você já contou como seu.
Um exemplo com números redondos, só para ilustrar. Um ebook de R$ 100, com taxa total de 10% e imposto de 6%:
- Preço: R$ 100
- Taxa da plataforma (10%): R$ 10
- Imposto (6%): R$ 6
- Sobra: R$ 84
Se 5% das vendas viram reembolso, a sobra média cai para perto de R$ 80. Esse é o número que vale, não o R$ 100 do checkout.
Para entender cada pedaço dessa conta, vale ler o post sobre quanto custa vender curso online e o que está dentro da taxa de gateway de pagamento. E se quiser ver o líquido por venda com os números da sua plataforma, use o simulador de taxas.
Passo 2: use a fórmula do preço mínimo
Com o líquido na mão, dá para calcular o menor preço que faz sentido. A fórmula é curta:
Preço mínimo = (custo por venda + lucro desejado) ÷ (1 − percentual de taxas e impostos)
Digamos que você quer ficar com R$ 60 por venda, que o custo por venda (anúncio, ferramenta, suporte) é de R$ 15 e que taxas e imposto somam 16%.
- R$ 60 + R$ 15 = R$ 75
- 1 − 0,16 = 0,84
- R$ 75 ÷ 0,84 = R$ 89,29
Seu preço mínimo é perto de R$ 90. Abaixo disso, você trabalha para pagar o custo de vender.
Esse é o piso, não o preço final. Ele só diz até onde você pode descer sem prejuízo.
Passo 3: olhe para o valor que o cliente percebe
O piso responde “quanto preciso receber”. O teto responde “quanto o cliente aceita pagar”. E o teto quase nunca é o seu custo de produção. É o tamanho do problema que você resolve.
Três perguntas ajudam a achar esse teto:
- Que resultado o cliente leva? Uma planilha que economiza 5 horas por semana vale mais do que um PDF “com dicas”.
- Quanto custa o problema hoje? Se o cliente perde R$ 300 por mês por não saber organizar o caixa, um produto de R$ 97 parece barato.
- Quais alternativas ele tem? Contratar um consultor, fazer um curso longo ou tentar sozinho em tutoriais gratuitos.
Quem vende resultado cobra mais do que quem vende informação. Compare: “30 modelos de contrato” e “o kit que te deixa fechar cliente sem advogado” podem ter o mesmo conteúdo. O segundo carrega um desfecho.
Entre o piso e o teto: como escolher o número
Com piso e teto definidos, sobra uma faixa. Agora é escolha de estratégia.
Preço de entrada para quem está começando
Se você ainda não tem audiência nem depoimentos, um preço mais acessível ajuda a conseguir as primeiras vendas e as primeiras provas. Só não vá abaixo do piso. Vender barato com prejuízo não constrói nada.
Quem quer o passo a passo desse primeiro produto pode ver como vender ebook na internet.
Preço por transformação para quem tem expertise
Se você é consultor, terapeuta ou coach, o preço é menos sobre o produto e mais sobre o resultado e o seu tempo. Uma mentoria cobra pelo acompanhamento, não pelo material. O post sobre como vender mentoria online detalha como estruturar isso.
Preço psicológico: o que funciona e o que é mito
Terminar em 7 ou 97 é um costume do mercado. Funciona porque o cliente já está habituado, não por mágica. Teste, não assuma.
O que costuma ajudar de verdade:
- Mostrar o valor parcelado em reais por mês, quando o ticket passa de uns R$ 100.
- Oferecer duas ou três opções (básico, completo, com acompanhamento). Muita gente escolhe a do meio.
- Ancorar com o valor do problema antes de mostrar o preço.
Passo 4: teste antes de gravar tudo
A forma mais barata de errar o preço é errar com o produto ainda no papel.
Antes de produzir, faça um pré-lançamento pequeno:
- Descreva o produto numa página simples, com o resultado prometido e o preço.
- Mande para 50 a 100 pessoas da sua lista, do seu Instagram ou de grupos do nicho.
- Anote quantas clicam e quantas compram.
- Se ninguém compra, o problema pode ser a promessa, não o preço. Troque a promessa antes de baixar o valor.
Se vender bem rápido demais, é sinal de que o preço pode subir. Quando todo mundo compra sem pensar, você deixou dinheiro na mesa.
Depois do lançamento, teste uma variação de cada vez: preço, parcelamento, bônus. Mudar tudo junto não ensina nada.
Erros comuns na hora de precificar
- Esquecer a taxa e o imposto: o preço de tabela engana, o líquido não.
- Cobrar pelo tempo de produção. Ninguém paga por quantas horas você gravou.
- Dar desconto demais cedo. Cupom de 50% ensina o cliente a esperar promoção.
- Nunca reajustar, mesmo com o produto melhor e com depoimentos na mão.
- Ter medo de cobrar. Preço muito baixo costuma atrair cliente menos comprometido.
Como a Miblify ajuda na conta
Na Miblify, você cria a conta de graça, cadastra o produto e vê quanto sobra de cada venda antes de publicar. Isso facilita testar dois preços, ajustar o parcelamento e saber a margem real sem planilha paralela.
E como você controla o seu caixa, o número que aparece no painel é o número que importa.
Perguntas frequentes
Quanto cobrar em um ebook?
Não existe um valor único. Ebooks de nicho que resolvem um problema específico costumam ficar numa faixa de R$ 27 a R$ 97, mas o certo é partir do seu piso de margem e do resultado que o leitor leva. Use a fórmula acima e teste.
Vale a pena fazer um preço bem baixo para começar?
Vale se o preço ainda cobrir seus custos e se você tiver um plano para subir depois. Preço baixo ajuda a conseguir os primeiros depoimentos. Mas se virar regra, você precisa vender muito mais para chegar ao mesmo lucro.
Como saber se meu preço está alto demais?
Olhe a conversão. Se muita gente chega na página e ninguém clica em comprar, revise a promessa e a prova social antes do preço. Se clica no botão e desiste no checkout, aí o valor ou o parcelamento pode ser o problema.
Preciso incluir a taxa da plataforma no preço?
Sim, na sua conta interna. O cliente vê um preço só, mas você precisa saber quanto sobra. Rode os números no simulador de taxas e confira se o líquido atende ao seu piso.
Conclusão
Precificar é fazer três contas: o que sobra de cada venda, o menor preço que paga suas contas e o quanto o cliente enxerga de valor. O preço certo fica entre o piso e o teto, e você confirma testando com gente de verdade antes de investir meses de produção.
Crie sua conta grátis na Miblify e comece a vender hoje.

