Quanto custa vender curso online? A conta real de 2026
Você fechou o mês com R$ 30 mil em vendas e mandou o print do painel no grupo dos amigos.
No mês seguinte, abrindo o extrato pra pagar as contas, aparece algo perto de R$ 22 mil. Oito mil reais sumiram entre o clique do cliente e a sua conta bancária.
Ninguém roubou nada, estava tudo escrito em algum lugar. O problema é que essa conta é cobrada em pedaços, por empresas diferentes, e quase nenhum infoprodutor senta pra somar tudo de uma vez. É o que eu queria fazer aqui, com números na mesa.
A conta que quase ninguém faz completa
Quando alguém pergunta quanto custa vender curso online, a resposta que aparece é sempre a taxa da plataforma. “Dez por cento.” Pronto, fim da conversa.
Só que a taxa da plataforma é um dos custos. Tem mais uns cinco embaixo dela.
O que interessa mesmo é: de cada R$ 100 que o cliente paga, quanto entra na sua conta e quando? O “quando” pesa tanto quanto o “quanto”, e a gente chega lá.
Os custos que somem do seu faturamento
1. Taxa da plataforma
Esse é o custo que todo mundo vê. Nas plataformas tradicionais o patamar costuma ficar na casa de 9% a 10% por venda, mais uma taxa fixa por transação.
Os percentuais mudam por plano, por tipo de produto e por negociação, então confirme sempre no site de quem você usa. Se quiser a conta detalhada de uma delas, já abri os números no post sobre quanto a Hotmart cobra de taxa.
Numa venda de R$ 497, uma taxa de 9,9% + R$ 1 tira R$ 50,20.
2. Antecipação de recebíveis
Venda parcelada no cartão não cai de uma vez. Uma compra em 12x pinga na sua conta ao longo de doze meses. Se você quiser o dinheiro agora, paga pra antecipar, e esse é o custo que mais gente esquece de contabilizar.
A antecipação costuma custar de 1,5% a 2,5% ao mês sobre o que foi adiantado. Parece pouco. Em parcelamento longo, vira uma mordida de 6% a 12% do valor da venda, dependendo do número de parcelas e da regra de quem processa.
Na prática você não escolhe muito. Quem roda tráfego pago precisa do caixa girando pra reinvestir, então antecipar vira parte da operação.
3. Parcelamento sem juros que você absorve
Quando o checkout oferece “12x sem juros”, esses juros existem e são pagos por alguém. O cliente não é esse alguém.
Muita plataforma repassa esse custo pro produtor de forma silenciosa, embutido no valor recebido por parcela. Vale abrir o extrato e comparar o que o cliente pagou com o que foi creditado, parcela a parcela.
4. Reembolso e chargeback
Reembolso dentro do prazo legal é normal, faz parte. O que dói é a assimetria: você devolve o valor cheio, e boa parte da taxa cobrada na venda não volta pro seu bolso.
No chargeback, quando o cliente contesta direto no cartão, além de perder a venda você pode pagar uma taxa administrativa por contestação. Uma taxa de contestação alta ainda aumenta seu risco de virar caso de análise na plataforma.
Estimativas de mercado colocam reembolso de infoproduto numa faixa de 3% a 8% das vendas, variando muito por nicho, ticket e qualidade da entrega.
5. Ferramentas mensais
O curso não vende sozinho. Em volta dele tem uma pilha de assinaturas:
- Ferramenta de e-mail: R$ 50 a R$ 300/mês
- Editor de página: R$ 50 a R$ 200/mês
- Hospedagem de vídeo: R$ 40 a R$ 150/mês
- Área de membros, quando é separada: R$ 50 a R$ 200/mês
Some baixo e dá uns R$ 200 por mês. Some no cenário de quem já escalou e passa fácil de R$ 800.
Esse custo é fixo. Ele existe no mês que você fatura R$ 30 mil e no mês que você fatura R$ 3 mil.
6. Imposto
Depende do seu regime. MEI, Simples Nacional e PJ com outro enquadramento pagam alíquotas bem diferentes, e a plataforma normalmente não retém isso por você no digital.
Não dá pra chutar um número aqui sem conhecer seu caso. Só não esqueça dele na hora de calcular a margem, porque é uma fatia real.
A conta fechada: um mês de R$ 30 mil
Curso de R$ 497, 60 vendas no mês, faturamento de R$ 29.820. A maioria parcelada, como costuma acontecer em ticket médio.
| Custo | Valor no mês |
|---|---|
| Taxa da plataforma (9,9% + R$ 1) | R$ 3.012 |
| Antecipação de recebíveis (~6%) | R$ 1.789 |
| Reembolsos (5% das vendas) | R$ 1.491 |
| Ferramentas | R$ 500 |
| Tráfego pago | R$ 6.000 |
| Sobra antes do imposto | R$ 17.028 |
De R$ 29.820 faturados, R$ 17 mil e pouco. E ainda falta o imposto e o seu próprio pró-labore.
Os números são estimativa pra ilustrar a ordem de grandeza, não uma tabela oficial. Refaça com os seus dados. Confesso que a primeira vez que montei essa planilha pra valer eu fechei o notebook e fui dar uma volta.
E sem contar o tráfego, que é investimento seu, a operação de cobrar consumiu quase R$ 6.800. Isso dá 23% do faturamento só pra mover dinheiro do cliente até você.
O dinheiro que existe mas você não pode usar
Faturar bem e não poder mexer no dinheiro é um problema de operação, e nenhuma planilha de taxa mostra ele. Regra de liberação que muda de um mês pro outro, saque que trava por análise sem prazo. Enquanto isso o boleto do editor de vídeo vence e o anúncio precisa de verba.
Já detalhei esse cenário no post sobre saque retido em infoproduto, e é por isso que tanto produtor com bom faturamento vive apertado.
Na Miblify o desenho é outro: o dinheiro da venda cai direto no seu gateway, na sua conta, sem intermediário segurando o caixa no meio do caminho.
Quanto custa começar, se você ainda não vendeu nada
Se você está no começo, a conta é bem mais leve do que parece. Pra fazer a primeira venda você precisa do conteúdo pronto, de um lugar pra hospedar e de um checkout funcionando. Estúdio, site próprio e pilha de assinatura ficam pra depois.
Gravação de tela resolve o vídeo, uma plataforma sem mensalidade resolve a cobrança, e o público você já tem. O passo a passo do checkout está no post sobre como criar um checkout para produto digital.
A armadilha do início costuma ser o oposto do que se imagina. Vejo muita gente assinando R$ 600 em ferramentas antes de descobrir se alguém compra. Valide primeiro, monte a estrutura depois.
Como derrubar o custo por venda
Quatro movimentos que mexem no número de verdade.
O primeiro é descobrir seu líquido por venda. Pegue as últimas 20 vendas, veja quanto o cliente pagou e quanto entrou na sua conta. A diferença dividida pelo valor bruto é sua taxa efetiva, e ela costuma ser bem maior que o percentual anunciado.
O segundo é empurrar o Pix. Ele cai na hora, sem parcelamento nem antecipação no meio. Dar 5% de desconto no Pix quase sempre sai mais barato que bancar os custos de uma venda parcelada no cartão.
O terceiro é cortar ferramenta ociosa. Aquela assinatura que você abriu duas vezes em quatro meses é lucro voltando pro seu bolso todo mês.
O quarto é escolher uma estrutura de custo que caiba na sua. Taxa alta por venda é suportável no começo, quando o volume é baixo. Depois que você escala, ela vira o maior custo variável do negócio, e migrar deixa de ser preferência pra virar matemática. Se você chegou nesse ponto, veja como sair da Hotmart sem perder vendas.
Some tudo antes de escolher onde vender
Vender curso online tem margem boa, desde que você saiba por onde ela escapa. Na maioria das operações que apertam, o que falta não é venda. É alguém ter somado o custo de operar.
Abra a planilha hoje e faça a conta dos seis custos deste post. Com o líquido real por venda na frente, escolher onde vender fica bem mais fácil.
Crie sua conta grátis na Miblify e veja quanto sobra quando o caixa é seu.
Perguntas frequentes sobre o custo de vender curso online
Quanto custa vender um curso online do zero?
Dá pra começar gastando quase nada. Gravação de tela com ferramenta gratuita, uma plataforma sem mensalidade e um checkout pronto resolvem a primeira venda. O custo aparece depois, quando o volume cresce e você contrata ferramenta e tráfego.
Qual a taxa média das plataformas de curso online?
O patamar comum nas plataformas tradicionais fica entre 9% e 10% por venda, mais taxa fixa por transação. Confirme sempre no site de cada uma, porque muda por plano e por tipo de produto. E lembre que a taxa anunciada não inclui antecipação.
Vale a pena parcelar em 12x sem juros?
Vale quando aumenta a conversão o suficiente pra compensar. Faça a conta: se o custo de antecipar 12 parcelas fica perto de 10% da venda, você precisa vender mais de 10% a mais pra empatar. Em ticket alto costuma valer, em ticket baixo raramente.
Preciso de CNPJ pra vender curso online?
Pra receber pagamento por plataforma e emitir nota, sim, o caminho normal é ter CNPJ. Muita gente começa como MEI e migra quando o faturamento cresce. Vale conversar com um contador antes de escolher o enquadramento, porque a alíquota muda bastante o seu líquido.

